15/04/10

Servido Público e Opinião Pública

A opinião pública tem uma visão estereotipada do funcionário público. Nesta visão, são realçados os aspectos negativos: menor empenho no trabalho, descaso na prestação de serviços, e acomodação nas rotinas do emprego etc.


Esta uma visão muito antiga. Havia até uma música tocada nos bailes de Carnaval que falava de uma servidora pública: "Maria Candelária, é alta funcionária.Saltou de Para-quedas, caiu na letra "O".Começa o dia, coitada da Maria,Trabalha, trabalha, trabalha de fazer dó; A uma vai ao dentista, às duas vai ao café, às três vai à modista, às quatro assina o ponto e dá no pé. Que grande vigarista que ela é."

Pois, era assim, de para quedas que se caia num cargo público e nas classificações funcionais.
Barnabé é outro termo que consagrou na gíria a visão do funcionalismo público mediano, sem grandes aspirações ou conquistas . O tipico servidor cujo paletó vive na cadeira para dar a impressão de que ele está no ambiente de trabalho.

Desmistificar um estereótipo social é sabidamente uma tarefa de paciência e que demanda, principalmente, tempo. É necessária uma estratégia, permanente e progressiva, de esclarecimento da sociedade civil, a fim de mostrar o porquê da existência do servidor público e sua necessidade. O porquê de sua necessária e constante valorização.

A Constituição de 1988 estabelece que a única maneira de provimento de cargos públicos efetivo é através de concurso. Atualmente, a maior parte do funcionalismo público de cargos efetivos é formada por servidores concursados, aprovados em certames que exigem muito preparo.

Mas, ainda, uma boa parte dos cargos comissionados, a maioria cargos de gestão são ocupados por servidores nomeados, em geral, segundo critérios de interresses políticos. Isso, gera um quadro onde o servidor tem uma boa formação, mas os chefes são amadores.

Entretanto, o que se percebe é que a cena da repartição cheia de máquinas de datilografia e cadeiras com paletós sobre elas repousando, hoje é tão pitoresca quanto rara. O Barnabé está em extinção.


É claro que, exames rigorosos para admissão de novos servidores aumentam a qualidade do funcionalismo , mas não é só isso. É preciso estruturar carreiras no serviço público com cursos obrigatórios e específicos para o setor público.

Os cidadãos, estão cada vez mais conscientes de que o serviço público que lhe é prestado não é gratuito: é muito caro. Pagam-se tributos, de várias espécies, numa complexa configuração fiscal (cumulatividade, bi-tributação, efeito cascata, guerra fiscal, etc...) que precisa arcar, inclusive, com os custos da burocracia excessiva e da provisão para fraudes.
A sociedade está ciente de que o serviço público deve ser eficiente e que o servidor público está ali para servir a sociedade.

O emprego público deve explorar as habilidades que fizeram o candidato ser empossado. A remuneração, a depender da carreira, deve ser mantida em níveis competitivos ao da esfera privada. Mas, nada disso visa a efemeridade do "status" que alguns servidores públicos apreciam.Tudo, visa o fim público; objetiva a satisfação das necessidades coletivas.

Uma nova política de recursos humanos é necessária, deverá ser permanente e estar em constante aperfeiçoamento, produzindo, na ponta, servidores mais críticos, competentes, inovadores e cientes de sua missão pública. Essa é a única forma de se resgatar, perante a sociedade, a dignidade da função, e se ganhar, do público, o reconhecimento devido.

Perante a sociedade, maus servidores não têm maiores direitos - nem de grevar, porque dispensáveis. Bons servidores, ao contrário, competentes e atenciosos, tornam-se mais fortes e reconhecidos, porque imprescindíveis.

Não adianta simplesmente lutar pelo salário sem ter postura e ética na hora de servir. A boa greve é aquela que é patrocinada por quem, de fato, trabalha , serve com competência e dá atendimento de qualidade ao público.

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